quinta-feira, 23 de maio de 2013

                  Diferentes seres                 
Artur da Távola
[...]
O diferente carrega desde cedo
apelidos e carimbos nos quais
acaba se transformando.
Só os diferentes mais fortes do que o mundo se
transformaram (e se transformam)
nos seus grandes modificadores.

Os diferentes aí estão: enfermos;
paralíticos; machucados; gordos;
magros demais; bonitos;
inteligentes em excesso;
bons demais para aquele cargo;
excepcionais; narigudos;
barrigudos; joelhudos; pé grande;
feios; de roupas erradas;
cheios de espinhas; de
mumunha; malícia ou baba; os
diferentes aí estão, doendo e doando,
mas procurando ser, conseguindo ser,
sendo muito mais.

A alma dos diferentes é feita de
uma luz além. A estrela dos
diferentes tem
moradas deslumbrantes que eles
guardam para os poucos capazes de
os sentir e entender. Nessas moradas
estão os maiores tesouros da
ternura humana. De que só
os diferentes são capazes.
[...]

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