Artur da Távola
[...]
O diferente
carrega desde cedo
apelidos e carimbos nos quais
acaba se transformando.
Só os diferentes
mais fortes do que o mundo se
transformaram (e se transformam)
nos seus grandes modificadores.
Os diferentes aí estão:
enfermos;
paralíticos;
machucados; gordos;
magros
demais; bonitos;
inteligentes
em excesso;
bons demais
para aquele cargo;
excepcionais;
narigudos;
barrigudos;
joelhudos; pé grande;
feios; de
roupas erradas;
cheios de
espinhas; de
mumunha;
malícia ou baba; os
diferentes aí estão, doendo e doando,
mas
procurando ser, conseguindo ser,
sendo muito
mais.
A alma dos diferentes
é feita de
uma luz além. A estrela dos
diferentes tem
moradas deslumbrantes que eles
guardam para os poucos capazes de
os sentir e entender. Nessas moradas
estão os maiores tesouros da
ternura humana. De que só
os diferentes
são capazes.
[...]
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